Especialistas da Unochapecó, UFSC e Eco.InPact discutiram a integração de aspectos ambientais, sociais e de governança às organizações, aproximando pesquisa, inovação e práticas de sustentabilidade.
Os desafios relacionados à incorporação de critérios ESG — Ambiental, Social e Governança — às estratégias e à transparência das organizações estiveram no centro de um dos painéis do II Simpósio Internacional Observatório Pollen, realizado no dia 17 de setembro, no Auditório do Pollen Parque Científico e Tecnológico, em Chapecó. Com participação presencial e remota, o Painel sobre Report ESG reuniu pesquisadores com atuação nas áreas de sustentabilidade, ecoinovação, responsabilidade social e qualidade da informação.
O debate foi mediado pelo Dr. Sady Mazzioni, professor titular e coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ciências Contábeis e Administração (PPGCCA) da Unochapecó, e contou com a participação do Dr. Cleonir Tumelero, professor titular do Programa de Pós-Graduação em Tecnologia e Gestão da Inovação (PPGTI) da Universidade, e da Dra. Denise Isabel Rizzi, professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), CEO da Eco.InPact e pesquisadora do projeto “ESG na Indústria”, da FIESC, que participou remotamente.
Com transmissão ao vivo pelo canal do evento no YouTube, o painel ampliou o alcance de uma discussão que ganha espaço nas organizações e no ambiente de inovação: como conectar sustentabilidade, inovação e transparência às estratégias e aos processos organizacionais.
ESG aproxima sustentabilidade e estratégia organizacional
A agenda ESG propõe uma visão integrada de aspectos ambientais, sociais e de governança que influenciam a atuação das organizações. Dentro dessa perspectiva, o painel inseriu o tema dos relatórios ESG em um debate que ultrapassa a divulgação de informações e se relaciona à forma como empresas e instituições estruturam e comunicam suas práticas.
No eixo ambiental, estão questões relacionadas aos impactos das atividades e à sustentabilidade. A dimensão social direciona a atenção para as relações das organizações com pessoas e sociedade. Já a governança envolve aspectos associados à gestão, transparência e qualidade das informações.
A integração dessas dimensões amplia a necessidade de produzir informações consistentes e capazes de subsidiar decisões, acompanhar práticas e comunicar resultados aos diferentes públicos relacionados às organizações.
Essa perspectiva dialoga diretamente com a proposta do Observatório Pollen, ao aproximar produção de informações, análise e tomada de decisão.
Qualidade da informação e responsabilidade social entram no debate
Responsável pela mediação, Sady Mazzioni possui pós-doutorado pela Universidade Federal de Santa Catarina, doutorado em Ciências Contábeis e Administração e atua como professor titular e coordenador do Mestrado em Ciências Contábeis e Administração da Unochapecó.
Sua trajetória de pesquisa nas áreas de ESG, responsabilidade social e qualidade da informação contribuiu para conectar o debate sobre sustentabilidade à necessidade de informações que possam oferecer suporte às organizações e aos diferentes públicos interessados em seu desempenho.
No contexto dos relatórios ESG, a informação ocupa posição central. O avanço dessa agenda amplia a necessidade de organizar indicadores e comunicar de forma estruturada aspectos relacionados às práticas ambientais, sociais e de governança.
A temática também estabelece conexão com as discussões realizadas ao longo do Simpósio sobre o papel dos dados e indicadores como instrumentos para qualificar decisões e compreender transformações organizacionais e territoriais.
Ecoinovação conecta desenvolvimento tecnológico e sustentabilidade
Outra perspectiva incorporada ao painel foi a da ecoinovação, área de atuação e pesquisa do professor Cleonir Tumelero.
Doutor e mestre pela Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da Universidade de São Paulo (USP), com estágio doutoral na Universidade de Cambridge, Tumelero é professor titular do Programa de Pós-Graduação em Tecnologia e Gestão da Inovação (PPGTI) da Unochapecó e docente de MBA em ESG da Fundação Getúlio Vargas.
Sua participação aproximou o debate ESG das discussões sobre tecnologia, gestão da inovação e sustentabilidade, relação especialmente relevante para empresas que buscam incorporar aspectos ambientais aos seus processos de inovação.
A ecoinovação amplia essa perspectiva ao relacionar inovação à busca por soluções que considerem também aspectos ambientais e de sustentabilidade. Dessa forma, o desenvolvimento de novos produtos, serviços, processos e modelos organizacionais pode incorporar critérios que ultrapassam resultados estritamente econômicos.
Para o ecossistema de inovação, essa abordagem reforça a necessidade de compreender sustentabilidade e inovação como agendas que podem avançar de forma integrada.
ESG na indústria amplia conexão entre pesquisa e setor produtivo
A participação remota da Dra. Denise Isabel Rizzi acrescentou ao painel a perspectiva de pesquisa relacionada à aplicação do ESG no contexto empresarial.
Professora do Programa de Pós-Graduação em Planejamento e Controle de Gestão da Universidade Federal de Santa Catarina, CEO da Eco.InPact e pesquisadora do projeto “ESG na Indústria” da FIESC, Denise integra atividades acadêmicas e profissionais relacionadas à temática.
Sua presença no painel contribuiu para aproximar a produção científica das discussões vivenciadas pelo setor produtivo, reforçando uma característica central dos ecossistemas de inovação: a circulação do conhecimento entre universidades, pesquisadores, empresas e organizações.
Essa aproximação é especialmente relevante em uma agenda como ESG, na qual a consolidação de práticas organizacionais depende da integração entre conhecimento técnico, indicadores, gestão e realidade empresarial.
Pesquisa interdisciplinar fortalece agenda de sustentabilidade
A composição do painel também evidenciou o caráter interdisciplinar da agenda ESG. Ciências Contábeis, Administração, Gestão da Inovação e Planejamento e Controle de Gestão estiveram conectados em torno de um tema comum.
Essa integração demonstra como desafios associados à sustentabilidade exigem conhecimentos complementares. A produção de informações, a gestão, a inovação e a análise de impactos fazem parte de uma mesma discussão quando o objetivo é compreender como as organizações podem incorporar aspectos ambientais, sociais e de governança às suas práticas.
No ambiente universitário, essa interdisciplinaridade abre possibilidades para pesquisas e projetos que conectem diferentes programas de pós-graduação e estabeleçam interfaces com demandas do setor produtivo e da sociedade.
Simpósio conecta ciência, inovação e desenvolvimento regional
O II Simpósio Internacional Observatório Pollen é promovido pelo Observatório Pollen, com apoio institucional da Universidade Comunitária da Região de Chapecó (Unochapecó), do Pollen Parque Científico e Tecnológico e da Assessoria de Relações Nacionais e Internacionais (ARNI). A edição também conta com a parceria dos Programas de Pós-Graduação Stricto Sensu da Unochapecó e com o apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (FAPESC).
Ao incluir o Report ESG na programação, o Simpósio ampliou a discussão sobre informação estratégica para uma dimensão cada vez mais presente no desenvolvimento de empresas e instituições.
Para o Pollen Parque e o ecossistema regional de inovação, aproximar ESG, ecoinovação, pesquisa e setor produtivo contribui para estimular uma visão de inovação que considere, de forma integrada, desenvolvimento tecnológico, responsabilidade organizacional e sustentabilidade.
O painel reforçou, assim, uma das perspectivas centrais do evento: produzir e compartilhar conhecimento capaz de apoiar decisões e contribuir para o desenvolvimento do território, conectando dados, inovação, sustentabilidade e transparência em uma agenda que envolve academia, empresas, poder público e sociedade.
Para acompanhar as ações e novidades, siga:
Instagram: @pollenparque
Linkedin: /pollenparque
Youtube: @pollenparque
