Sean Brookfield Meades, da Universidade de Algoma, no Canadá, participou do II Simpósio Internacional Observatório Pollen e abordou o papel das práticas comunitárias, da inclusão social e da economia social na construção de soluções sustentáveis.
A relação entre sustentabilidade, economia social e desenvolvimento territorial marcou a programação noturna do II Simpósio Internacional Observatório Pollen, no dia 17 de setembro, no Auditório do Pollen Parque Científico e Tecnológico, em Chapecó. A palestra internacional “Sustentabilidade e a Economia Social” foi ministrada pelo Dr. Sean Brookfield Meades, da Universidade de Algoma, no Canadá, e também teve transmissão ao vivo pelo canal do evento no YouTube.
A atividade ampliou a perspectiva das discussões realizadas durante o Simpósio ao colocar em pauta como práticas comunitárias, inclusão social e dinâmicas locais podem contribuir para fortalecer territórios e para a construção de soluções ecológicas e econômicas duradouras.
Ao longo da abordagem, a economia social foi apresentada como uma dimensão relevante para compreender processos de desenvolvimento que considerem não apenas aspectos econômicos, mas também as relações sociais, as comunidades e as características de cada território.
Economia social como perspectiva para o desenvolvimento sustentável
A palestra de Sean Brookfield Meades propôs uma reflexão sobre a economia social como elemento para o fortalecimento dos territórios, especialmente a partir da capacidade das comunidades de participar da construção de respostas para seus próprios desafios.
A abordagem relacionou desenvolvimento sustentável às práticas comunitárias e à inclusão social, destacando a importância de considerar as dinâmicas locais na construção de soluções com continuidade ao longo do tempo.
Essa perspectiva amplia o olhar sobre sustentabilidade. Além da dimensão ambiental, o desenvolvimento dos territórios também está relacionado às condições sociais e econômicas e à capacidade de diferentes atores participarem dos processos de transformação.
Nesse contexto, a economia social oferece uma perspectiva que conecta desenvolvimento econômico, inclusão, comunidade e sustentabilidade, reconhecendo que soluções duradouras dependem também das relações construídas dentro dos territórios.
Práticas comunitárias e inclusão social no centro da transformação
Outro eixo da palestra esteve relacionado ao papel das práticas comunitárias e da inclusão social no desenvolvimento.
Ao direcionar a discussão para as comunidades, a abordagem reforçou que os territórios possuem características, conhecimentos e relações próprias que precisam ser considerados na construção de estratégias de desenvolvimento.
A inclusão social assume papel relevante nessa dinâmica ao ampliar as possibilidades de participação dos diferentes grupos na economia e nos processos de transformação territorial. Sob essa perspectiva, enfrentar desigualdades também integra a construção de modelos de desenvolvimento capazes de articular resultados econômicos, sociais e ambientais.
Para os ecossistemas de inovação, essa reflexão amplia o entendimento sobre quem participa dos processos inovadores e quais impactos as soluções desenvolvidas podem produzir para a sociedade.
Sustentabilidade amplia conceito de inovação
A presença da temática na programação do II Simpósio Internacional Observatório Pollen também contribuiu para aproximar sustentabilidade e inovação.
A inovação pode ser compreendida não apenas pela criação de novas tecnologias, produtos ou serviços, mas também pela capacidade de desenvolver novas respostas para desafios sociais, ambientais e econômicos.
Essa visão estabelece conexão com conceitos como inovação social e ecoinovação, que ampliam a análise sobre os resultados gerados pelos processos inovadores e sua contribuição para os territórios.
Ao trazer a economia social para esse debate, a palestra internacional acrescentou uma perspectiva centrada nas comunidades e nas relações sociais que sustentam o desenvolvimento regional.
Experiência internacional amplia intercâmbio de conhecimento
A participação de um pesquisador da Universidade de Algoma, no Canadá, reforçou ainda o caráter internacional do Simpósio e criou uma oportunidade de intercâmbio de conhecimentos entre diferentes realidades territoriais.
Trazer experiências e perspectivas internacionais para o Oeste Catarinense permite ampliar o repertório de pesquisadores, estudantes, gestores e atores do ecossistema de inovação, ao mesmo tempo em que estimula novas conexões entre instituições e diferentes contextos de pesquisa.
Essa dimensão está alinhada à proposta do II Simpósio Internacional Observatório Pollen, que busca aproximar conhecimento científico, inovação e desenvolvimento regional a partir do diálogo entre pesquisadores e instituições de diferentes países.
Observatório Pollen conecta conhecimento global aos desafios regionais
A palestra também reforçou o papel do Observatório Pollen como espaço de articulação e circulação de conhecimento relacionado aos desafios dos territórios.
Ao longo da programação do Simpósio, diferentes perspectivas foram conectadas a temas como dados e indicadores, ecossistemas de inovação, ESG, sustentabilidade, economia social e desenvolvimento regional. Em comum, essas discussões colocam a produção de conhecimento como instrumento para compreender transformações e apoiar decisões.
A participação de Sean Brookfield Meades acrescentou a esse conjunto uma reflexão sobre a importância de observar o território também a partir de suas comunidades e relações sociais.
Para o Pollen Parque Científico e Tecnológico, essa abordagem dialoga com a construção de um ecossistema no qual universidade, empresas, poder público e sociedade possam contribuir para processos de inovação e desenvolvimento.
Simpósio fortalece internacionalização, pesquisa e inovação
O II Simpósio Internacional Observatório Pollen é promovido pelo Observatório Pollen, com apoio institucional da Universidade Comunitária da Região de Chapecó (Unochapecó), do Pollen Parque Científico e Tecnológico e da Assessoria de Relações Nacionais e Internacionais (ARNI).
A edição também conta com a parceria dos Programas de Pós-Graduação Stricto Sensu da Unochapecó e com o apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (FAPESC).
A participação do pesquisador canadense reforçou a integração entre internacionalização, pesquisa, sustentabilidade e inovação, ampliando as conexões construídas durante o evento.
Ao encerrar a programação do dia com a discussão sobre “Sustentabilidade e a Economia Social”, o Simpósio evidenciou que o desenvolvimento dos territórios depende de múltiplas dimensões. Tecnologia e crescimento econômico integram esse processo, mas caminham ao lado de inclusão social, participação comunitária e sustentabilidade.
A reflexão proposta por Sean Brookfield Meades reforçou, assim, uma perspectiva essencial para os ecossistemas de inovação: territórios mais inovadores também precisam ser capazes de construir soluções que considerem as pessoas, as comunidades e a sustentabilidade de seu desenvolvimento no longo prazo.
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